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segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Natal, comércio e vaidades



O clima de Natal acabou

por Diego Polachini

Contei nos dedos o número de residências enfeitadas para o aguardado Natal. Aquele clima emocionante de outrora parece ter dado lugar ao cinismo fraterno e ao desdém. O que era uma regra para a maior parte das famílias transformou-se em evento casual. Os tradicionais encontros para cear na noite do dia 24 de dezembro já não são como antes. Até o show do Roberto Carlos não comoveu tanto quanto no passado.

Uma interlocutora disse hoje: “O Natal é chato”. Para chegar a esta conclusão ela usou como parâmetro as festas de Ano Novo. “Aí sim é mais animado”, completou. É fato que para muitos o Natal não tem sentido algum. Traumas familiares podem ser causadores deste desprazer e contribuem para um clima menos feliz.

Um amigo comentou: “O Natal é a época em que as pessoas fingem melhor”. Fato também. Pessoas que só pensaram em si ao longo do ano são movidas pelo “espírito natalino” de fazer o bem ao próximo. Um evento pontual, mais voltado ao marketing pessoal que para ação de graças, e que não prosperará nos próximos 12 meses, ganha as rodas sociais. Vergonha alheia. Jesus Cristo, teoricamente o aniversariante do mês, ensinou que “nossa mão esquerda não deve saber o que a direita faz”. Ele completa: “Quando, pois, deres esmola, não faças tocar trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos homens...” – Mateus 6:2.

O clima de festa deu lugar a um enebriante tom de cinza típico de funerais. Posso afirmar que o coração do homem está mais cauterizado e endurecido. E temos motivos para isso. O mesmo Jesus aniversariante disse, há dois mil anos, que no fim dos tempos os sentimentos seriam ultrajados. “E, por se multiplicar a iniqüidade, o amor de muitos esfriará” – Mateus 24:12. O amor está frio. Não queremos saber do outro. Pensamos em nós mesmos. Nosso ego fala mais alto. E o ensinamento do próprio Cristo, que no Natal teoricamente é festejado, fica pra depois e é deixado de lado.

As demonstrações públicas de afeto não existem mais. A rixa é mais presente que a comunhão. A cobiça toma o lugar da partilha. Os olhos são maiores que o coração. Salomão, filho de Davi, o mais rico e mais sábio dos reis, declarou ao fim da sua vida: “Por isso odiei esta vida, porque a obra que se faz debaixo do sol me era penosa; sim, tudo é vaidade e aflição de espírito” – Eclesiastes 2:17. Tudo é vaidade. Vaidade de vaidades.

A memória desta terra não subsistirá. Tudo cairá no esquecimento em questão de tempo. Observem o passado. Pouco restou das obras dos homens de outrora. O resto foi vaidade. Vivemos, desejamos, sonhamos, lutamos, conquistamos e perdemos. Um ciclo de altos e baixos, de prós e contras, que termina no apagar das luzes, com a morte. O que tem depois?

O Natal do dia 25 de dezembro não tem nada a ver com o nascimento do Filho de Deus. Este Natal comercial, ávido por vender cada vez mais, não resplandece os ensinamentos de quem ele estima comemorar. Está longe disso. Aos poucos as pessoas estão percebendo isso e têm deixado de lado esta obrigação anual. Mas em vez de ignorar completamente os motivos do nascimento de Jesus devemos observar que “a vida é mais do que o sustento, e o corpo mais do que as vestes” – Lucas 12:23. Tudo é vaidade, mas Jesus Cristo é o pão da vida.

Aquela paz!

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